Feliz Aniversário!

                E então? O que você fez esse ano? Quais seus objetivos concluídos, quais as suas conquistas? Qual é o balanço da sua vida desse ano que se passou?

                Sabendo que eu nunca fui uma pessoa de grandes realizações é um bocado complicado de dizer o que foi que eu fiz esse ano.

                Eu li 12 ou 13 dos 50 livros que era a meta. Eu não emagreci. Eu não fiz trilhas e nem visitei cachoeiras. Eu não terminei de escrever meu livro. Eu não consegui evoluir muito a loja.

Mas…

                Eu fiz uma viagem, tirei 5 dias de férias! O que pra mim é uma conquista enorme. E quando eu voltei, ainda estava tudo no lugar e a loja não havia pegado fogo. E em Ouro Preto eu vi tanto, fiz amizades e tive muito tempo para reflexão. Era o que eu mais precisava!

Eu fiz novos amigos! Aqueles de longa distância, ok, mas são pessoas que posso chamar de amigos. Meus amigos virtuais de quem eu gosto muito. E sobre aqueles que dizem que gamers não tem vida social, vocês estão tremendamente enganados. O meu social eu faço na frente do computador, conversando e dando risada com um monte de gente doida igual a mim e não vejo nenhum problema nisso.

                Por outro lado eu descobri muito do que eu quero e de como eu quero viver a minha vida. Talvez as realizações tenham sido internas. De crescimento no coração e na alma. Acredito que tenha sido o ano que eu mais tenha tomado consciência de mim mesma. O ano que mais olhei para dentro de mim. E isso despertou coisas ótimas.

                Esse ano que se passou foi muito sobre pensar na minha vida. Pensar no que estou fazendo e mesmo que eu ainda não tenha uma noção clara de tudo eu sei que direção que devo seguir. Sei agora o que eu quero pra mim. E agora os esforços estão todos voltados a isso.

                Eu nunca fui alguém que age muito depressa, eu sei que nisso eu perco um bocado de ótimas oportunidades. Sempre fui daquele tipo de pessoa que pensa e pesquisa muito sobre algo antes de começar, antes de pular de cabeça.

                Por isso que as ações de mudança demoram um pouco mais de tempo do que eu gostaria, e tudo bem. Não há nada de errado nisso.

                Afinal, ainda tenho 27 anos, e há muita vida para ser vivida. No balanço geral, esse ano foi maravilhoso. Obrigada por viver mais um ano, parabéns por aguentar mais um ano difícil, com todas as cobranças e expectativas. Você é realmente alguém que vale a pena. Feliz aniversário e muito obrigada!

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Conto #1 Elevador

Nanda estava subindo pelo elevador. Estava totalmente empolgada. Apartamento novo, iria morar com o namorado. Seria maravilhoso. Ela sorria sozinha. O caminhão com a mudança tinha chegado no dia anterior. E hoje haveria caixas e mais caixas para desembrulhar.

Plim. Aquele som dizendo que o elevador estava parando. Ela sorria enquanto a porta foi se abrindo.

E então veio o susto. Ela arregalou os olhos. E piscou algumas vezes. Em sua frente parado esperando o elevador abrir estava ele. O cara que ela não via fazia mais de 10 anos. Mas que seria um perigo caso se reencontrassem.

Seu coração parou por um segundo. Ela abriu a boca, fechou sem dizer nada. Encarou ele, seus olhos castanhos, do mesmo jeito como ela se lembrava. Aquela doçura característica de que ela gostava tanto. Ele a encarava, também embasbacado.

Num ato reflexo ele esticou a mão para impedir o elevador de fechar. Ela estava paralisada ali dentro. A respiração havia acelerado. Os olhos dela se arregalaram um pouco. Uma emoção, uma energia tremenda fez arrepiar todo seu corpo.

Ele nunca havia falado pra ela que a amava, tinha guardado tudo para si. Mas ela sim. Ela o amava, sempre amou, e ele sempre soube, ela havia sido sincera e aberta em todo o momento que estavam juntos. E nunca pudera esquecer do que sentia por ele. Não era como se não amasse o seu namorado atual. Mas o amor que sentia por essa pessoa, que simplesmente se materializara em sua frente era algo para toda a vida, algo que nunca mudaria. Ele sabia o quanto era difícil para ela, sempre soube. Mesmo assim a abraçou.

Sem dizerem uma palavra. Ele a abraçou e ela deixou. Deixou que o elevador se fechasse e não a soltou. Ele a abraçou forte, sentindo o cheiro de seus cabelos. Sentindo ela em seus braços. Como havia sentido falta dessa garota. Sentia falta dela todos os dias.

Memorias vieram na mente dos dois. Tantas coisas passaram. A adolescência inteira haviam passado juntos, até que se separaram ao entrar em faculdades diferentes, até que a vida entrasse no caminho e os levassem para longe um do outro.

Nanda se afastou dele. E o encarou novamente. As palavras haviam sumido. Ela olhou para o chão. Olhou para o painel e apertou o numero 7 novamente. Ignorou o olhar penetrante em cima dela enquanto o elevador continuava a subir até seu andar.

Ele não tirava os olhos dela. O plim do elevador quebrou o silencio. Ela saiu pela porta. Ele continuou lá dentro, descendo até o saguão. Sem reação, sem coragem para dizer uma palavra a ela. Ele não sabia o que dizer, era verdade, mas queria ter falado alguma coisa.

Nanda caminhou rapidamente e tentou achar as chaves do apartamento o mais depressa possível, o que fez sua bolsa cair no chão. Não podia ser verdade. Não podia estar acontecendo. Dez anos depois e ela resolve se mudar exatamente para o prédio dele. Um desespero tomou conta dela. E por um instante se imaginou encerrando o contrato de locação e indo achar outro prédio.

Estar longe dele todos esses anos fez com que seu relacionamento durasse e até estavam indo morar juntos. E quanto Thiago descobrisse que eles se mudaram para perto de problemas? Ela sabia que seria um problema. Seria terrível.

Nanda entrou no novo apartamento e fechou a porta atrás de si. Se recostando nela. Tentando fazer a respiração voltar ao normal. Olhou para o relógio que usava no pulso, Thiago chegaria em uma hora. Olhou o monte de caixas que estava no chão da sala. Precisava colocar mãos a obra e desfazer as caixas e organizar as coisas, tentaria de todas as formas tirar a imagem de Bruno da cabeça.

Ela iria morar com Thiago e estava tudo certo, ela o amava, sempre o amou. Disso nunca teve duvidas. Mas ver Bruno sempre havia deixado seu coração enfeitiçado, era horrível. E ela não sabia o que fazer. Aquele olhar. Tentou afastar aquele olhar profundo de sua mente.

Começou a arrumar suas coisas e nada de Bruno sair da sua cabeça. O tempo passava e Thiago logo estaria ali. O apartamento já estava todo montado, prontinho para morarem. Só precisavam colocar as roupas e as coisas de cozinha no lugar. Nanda se distraiu fazendo isso.

Tinha resolvido deixar pra lá e não contaria nada para Thiago. Pelo menos não agora. Não iria estragar esse momento de felicidade dos dois. Quem sabe o cara só estava ali visitando alguém, e nunca mais o veriam novamente. Se agarrou nesse pensamento e então conseguiu deixar isso de lado.

Algo novo estava acontecendo para ela e o namorado, e seria incrível. Ela resolveu que nada iria atrapalhar. Não deixaria nada entrar no caminho. Ela sorria enquanto finalmente conseguia se concentrar na tarefa de abrir e esvaziar caixas.

Nanda ouviu o barulho de alguém testando chave na fechadura e se levantou do chão do quarto onde organizava os sapatos dentro do armário. Foi correndo para a porta de entrada, se jogar nos braços do namorado. Ele sorriu ao vê-la toda linda esperando por ele.

Thiago a beijou longamente. Passando os dedos por seu cabelo. Como era bom. Ela o amava, ela estava ali por ele, eles estavam começando uma nova aventura juntos. Seria ótimo! Perfeito! Nada estragaria a vida do casal.

– Você já conseguiu arrumar quase tudo! – Se espantou ele.

– Sim senhor! – respondeu ela alegre.

– Achei que você ia me esperar pra eu te ajudar. – Ele beijou sua testa. Enquanto segurava sua mão e acariciava seus dedos.

– Não. Mas agora você pode fazer comida pra mim! – Nanda sorria, orgulhosa do novo lar deles. Onde estavam finalmente começando a construir a vida em conjunto.

– Nós temos fogão, meu amor. Mas não temos comida ainda!  – Thiago olhava para ela todo bobo de felicidade. Eram um casal incrível. Ela era incrível.

– Então peça pizza. E vamos comemorar!

– Tá bem. – Ele pegou o celular e foi ligar para pedir. Nanda voltou ao quarto. Ainda tinha coisas para colocar no armário.

Thiago estava colocando a mesa, pegou a toalha nova e estendeu, colocou os copos, pratos e talheres. Todo orgulhoso de ver as coisas de sua casa. Ganharam muitas coisas da família, para que pudessem começar a vida juntos. Então ele estava muito grato por tudo. Estava feliz.

Os dois estavam muito felizes. Aquele tipo de felicidade que não cabe dentro do peito.

Dim dom. A campainha da porta. Devia ser algum morador dando as boas vindas e Thiago foi prontamente atender.

Abriu a porta e então seu coração gelou. Qualquer sentimento bom que havia dentro dele desapareceu no mesmo instante.

Bruno.

Bruno também arregalou os olhos. Estava ansioso por Nanda. Não acreditou quando se deu conta de que Thiago era morador dali também. Ele travou. Não queria causar problemas a ela, mas queria muito vê-la. Muito mesmo.

Thiago quis bater a porta na cara dele. Ele havia atrapalhado seu namoro a vida toda. Sendo uma sombra sempre presente. Não era possível que morasse aqui! No mesmo prédio que eles! Um ódio subiu pela garganta. Um ciúmes horrível tomou conta dele. Nanda devia saber disso, já que esse traste veio bater na porta. Ela que havia escolhido o apartamento. E agora tinha um passado ruim batendo na porta.

Ruim.. ruim era pouco. Thiago sabia que Nanda sempre amaria Bruno. Sabia que isso nunca deixaria de existir. Mas o namoro dos dois estava dando certo pois a vida havia se encarregado de levar o outro para bem longe dela. Mas agora, ali estava ele. No mesmo prédio em que eles estavam começando a vida de casal.

Thiago retomou as forças e fechou a porta na cara de Bruno. Sem dizer uma palavra. Estava com raiva, com ódio. Ela o havia enganada. Ela o havia feito de trouxa. A menos de 5 minutos ele estava feliz, estavam felizes. E agora isso. Traição.

Alguns minutos depois Thiago abriu a porta e saiu. Não conseguia ficar ali.

Relacionamentos Platônicos

Há sempre aquelas pessoas que encontramos por aí, que vemos nos mesmos lugares que a gente. Não estou falando do tal do amor a primeira vista, mas daqueles que estamos em contato sempre, e que podemos conversar.

Vemos na fila do banco, na padaria, na escola, o garçom do restaurante, o atendente da farmácia.

Há aqueles que nos tiram o folego e nos fazem pensar “e se?”

E se ele olhasse para mim de outra forma?

E se ela viesse falar comigo hoje?

E se ele me chamasse para sair?

E se eu não fosse tímida o suficiente para chegar e puxar conversa?

E se eu realmente fosse alguém que consegue conversar com as pessoas?

Eu teria alguma coisa diferente na minha vida?

Eu começo a fantasiar coisas na minha cabeça. Crio até um relacionamento com esses amores que encontro por aí.

Um jeito diferente de olhar, um modo de falar e acho engraçado.

Acho engraçado essa mania da minha cabeça de flertar mentalmente e me relacionar mentalmente com as pessoas.

Para alguns eu crio um relacionamento conturbado e abusivo. Outros crio um clima de puro amor e carinho. Ou ainda aqueles relacionamentos leves, sem pressa, sem frescura.

Minha mente adora criar esses relacionamentos diversos com as pessoas que encontro por aí.

Acho que meu cérebro foi feito para criar relacionamentos amorosos. Sejam eles bons ou ruins.

É divertido. É o mais divertido de tudo.

E o legal é que as vezes eles se expandem e viram historias inteiras! E mexem comigo de uma forma bem louca.

Se escritores tendem a inventar histórias na cabeça o tempo todo, a minha cabeça é de escritor de romance. Certeza. Escritora de relacionamentos.

Bem Vindo!

Nunca achei que eu deveria fazer outra coisa que não fosse criar.

Nunca me encaixei muito bem na vida que as pessoas vivem.

Nunca consegui falar com as pessoas, me comunicar em alto e bom som.

Eu conseguia escrever. Sempre consegui escrever.

A escrita sempre foi algo que vinha fácil para mim. E eu quando pequena recebia elogios sobre como eu escrevia.

Eu sei que livros sempre estiveram presentes na minha vida, mesmo antes de eu começar a ler minha mãe lia para mim.

Comprávamos gibis da turma da Monica e ela lia. Quando eu aprendi a ler eu nunca mais parei.

Eu gosto de ler e eu amo escrever. Bem ou mal, eu escrevo.

Se eu termino alguma coisa do que eu começo a escrever? Não. Nunquinha.

Eu tenho muitos começos de livros e contos. Mas nada finalizado.

Eu vou abandonando pelo caminho. Deixando para depois.

Se eu deixo que as pessoas vejam o que eu escrevo? Não.

Por isso estou aqui agora. Eu quero continuar a escrever. Não quero parar no meio do caminho.

Quero fazer e mostrar para as pessoas o que eu faço. Talvez alguém possa gostar daquilo que eu escrevo e me incentive a continuar.

Talvez assim eu consiga continuar e terminar tudo o que eu começo.

Sejam bem vindos ao meu blog, onde falarei sobre livros, escrita, divagações e pensamentos sobre a vida, espero que me acompanhe e que eu possa escrever algo que seja útil a vocês.